sra. farnsworth, residência farnsworth

originalmente postado em http://notasurbanas.blogsome.com/2010/04/12/sra-farnsworth-residencia-farnsworth/

In 1951 Mies completed a weekend house for Dr Edith Farnsworth at Piano, Illinois. A typical mid-west town built around a railway line and station, Piano is an untypical weekend base for prosperous Chicago residents, who tend towards the shores of Lake Michigan to the east. Consisting of one principal room glazed on four sides, the Farnsworth House is designed for a single occupant. But the two bathrooms in the central core indicate that the guests are expected, either during the day or also overnight. […]

[…] Mies insisted that the Farnsworth House would also contain only his furniture. But architect and client fell out before the house was furnished. Farnsworth, who claimed that she found the house uncomfortable but still lived there for twenty years, placed her objects and furniture around the house. […] Peter Palumbo, a great admirer of Mies and the house’s second owner in 1970, included furniture designed by the architect and, in 1972, employed Mies’ grandson Dirk Lohan to supervise the renovation. […] In 2003, Palumbo sold the House. Owned by the National Trust for Historic Preservation and managed by the Landmarks Preservation Council of Illinoiis, it is now an historical monument open to the public for hourly visits.

[…] bem mais adiante, depois de considerações a respeito da relação de Mies com a ideia de natureza:

Farnsworth made clear her criticism of her architect and her house. In 1951 she and Mies sued each other, principally over money. The case was finnaly settled out of court in 1956 with Farnsworth paying Mies less than he demanded. Citing the house’s constructional and environmental failings, she claimed that Mies had falsely represented himself as a ’skilled, proficient and experienced architect’ [Friedman]. Sixty-five at the completion of the Farnsworth House, and the architect of many buildings in Europe and the United States, Mies was indeed an experienced architect. He failed to predict the rising flood. But it is likely that he would have understood that the Farnsworth House would suffer from condensation, glare, overheating in summer, cold in winter, and the absence of a hearth for the fireplace would have ‘the unhappy effect of creating a wild circulation of ash throughout the interior’ [Schulze]. Maybe he considered these environmental ‘failings’ to be acceptable or even necessary to the experience of the Farnsworth House, contradicting his statement that architecture and nature should be kept apart. Certainly, many architects have said one thing and done another. The pink suede Barcelona chairs Mies intended for the interior counter his request that architecture’s colours should not disrupt nature, and would have made ‘the house look like a Helena Rubenstein studio’, as Farnsworth remarks [Edith Farnsworth, Memoirs].

The sublime and the beautiful

[…] Recalling the evening she first discussed the house with Mies, Farnsworth concludes that ‘the effect was tremendous, like a storm, a flood, or other act of God’ [Schulze]. Wheter she is referring to the house or its architect is uncertain, but Farnsworth describes an experience distinct from beauty.

[…] o que vai a seguir é meio forçado…

The Farnsworth House does not keep nature and architecture apart. The environmental conditions outside so temper and intrude on those inside that the relationship between nature and architecture is by no means visual alone. Within its vulnerable interior, the full effects of weather and weathering are amplified and experienced, from the pleasant beauty of sunlight to the painful beauty of cold and condensation, from the majestic sublime of thunder and lightning to the fearful flood when immediate danger overcomes the sublime. But we do not know if this was Mies’ intention. (e qual a diferença se era ou não a intenção dele na construção da imagem da casa ao longo do século…?)

HILL, Jonathan. “Centuries of ambiguity — Sublime and beautiful weather at the Farnsworth House” in RENDELL, Jane et alli (org). Critical Architecture. Londres: Routledge, 2007. SIBI/FAU 720.1_C869

planta A citação acima consta do artigo “Centuries of ambiguity — Sublime and beautiful weather at the Farnsworth House”, de Jonathan Hill, presente no livro Critical Architecture, publicado em 2007 pela Routledge. Faz parte de um grupo de artigos reunidos sob o tema da “Crítica pelo projeto” (os outros temas do livro são “Crítica/Negação/Ação”; “Arquitetura-Escrita” e “O contexto cultura da arquitetura crítica”). Alguns trechos interessantes do artigo sobre a casa tradicional japonesa ficaram de fora, assim como toda a argumentação sobre o pitoresco, o romântico, o belo e o sublime. Destaquei apenas a relação arquiteto-cliente, que mais chamou a atenção.

Embora o autor do artigo não caia na bobagem de querer criticar o projeto da casa Farnsworth apenas pelas suas características ambientais (aquela crítica pobre que se resume a frisar que na casa faz frio no inverno, calor no verão, atrai mosquitos, etc), achei meio forçado o argumento construído (o próprio projeto como crítica, ou projeto como ideia de mundo, projeto como relação homem-natureza). Também é um argumento um tanto quanto datado: assim como são anacrônicas as críticas feitas às características de conforto ambiental (trata-se de um posicionamento próprio dos movimentos de revisão do moderno dos anos 60 ou 70, em meio àquela fixação de que arquitetura como ciência se resumia ao “built environment”), é igualmente anacrônica a defesa do projeto por meio do argumento moderno (o desenho como visão de mundo, o desenho como expressão de um posicionamento, etc). No fundo, o artigo ainda é crítica operativa, pois parece querer fazer crer que aqueles argumentos continuem válidos…

Em outras palavras: mesmo revelando os artifícios pelos quais as imagens paradigmáticas se criaram (como quando lembra o papel do segundo dono da casa em procurar restituir a ela uma visão “ideal” da obra miesiana, chegando inclusive a contratar o neto do arquiteto para “restaurá-la”), ainda assim continua sendo a história dos vencedores, continua sendo a história que cria imagens e discursos prontos a serem consumidas pelos estudantes de arquitetura do mundo inteiro, dada a ênfase no “projeto como crítica”.

foto de Tinyfroglet - flickr - cc-by

Mas fica a curiosidade: qual a relação de fato entre van der Rohe e a cliente? A dra. Edith Farnsworth sabia muito bem quem ela estava contratando quando chamou Mies. Mais: ela sabia que um projeto da grife Mies significava prestígio, tratava-se de fato de capital social, simbólico (no livrinho básico do Argan, há uma interessante descrição da simbiose capitalista entre Frank Lloyd Wright e o Sr. Kaufmann relativamente ao projeto da Casa da Cascata: o cliente sabia muito bem que estava construindo uma imagem para a jovem burguesia americana, “desbravadora”, “ousada”, etc). A casa Farnsworth, mais do que uma estrutura de veraneio, era um de fato um investimento — investimento que não se limitava à esfera imobiliária. O que levou então aos processos judiciais e à relação tumultuada entre arquiteto e dra. Edith Farnsworth? Os defeitos relacionados ao conforto ambiental não são suficientes para dar cabo à questão.

***

Obs.: Fotografia de Tinyfroglet, Flickr, cc-by.

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