mestrado

O discurso do ambiente na arquitetura (anos 1960 e 1970)

Projeto de mestrado 2014–2016

Drop City

Recém-ingresso no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da FAUUSP, estou desenvolvendo um projeto de pesquisa com o título provisório acima enunciado. Minha intenção é a de explorar as várias formulações discursivas que povoaram o universo da arquitetura, ao longo dos anos 1960 e 70, que — em sua heterogeneidade formal e de objetivos — mobilizaram variadas noções de ambiente.

De fato, a maneira como a ideia de ambiente penetra não apenas no discurso arquitetônico mas no próprio discurso social do período parece constituir um fenômeno singular: aparentemente fincando algumas de suas raízes em manifestações artísticas e políticas de ordem contracultural nos anos 1960, a ideia de ambiente passa a frequentar outras variadas esferas, algumas mais hegemônicas e outras menos. Já nos anos 1970 a presença do discurso ambientalista em eventos como a Conferência de Estocolmo (mito fundador de todo o fenômeno do desenvolvimento sustentável) ou a constituição da política ambiental estadunidense durante o governo Nixon revelam uma formulação discursiva e ideológica nova — e que pouco parecia estabelecer qualquer relação com as experiências contraculturais que as precederam, apesar da possível percolação de uma coisa na outra.

No universo da arquitetura, em particular, ela passa lentamente a ganhar espaço nos discursos acadêmicos e profissionais, embasando práticas e pesquisas: de um lado ela está presente na justificação de certas experiências arquitetônicas contraculturais, de outro ela também marca presença em arranjos discursos presentes na produção hegemônica de arquitetura, circulando nos periódicos profissionais e nos eventos da área. Além disso, a ideia de “ambiente construído” ganha força como elemento de identificação da arquitetura enquanto disciplina científica autônoma: a arquitetura teria na construção do ambiente de vida humana seu objeto, desenvolvendo para isto uma teoria e um método próprio. Trata-se também de um processo que dialoga com as experiências ambientalistas contraculturais do período, ao mesmo tempo em que se afastava delas. Escolas de arquitetura no mundo inteiro passam a ser chamadas de “escolas do ambiente construído” e até mesmo o Programa de Pós-Graduação recém-instalado na FAUUSP nos anos 70 configura sua área de concentração como “Estruturas ambientais urbanas”. Além disso, são feitas conexões com áreas próximas, como a ecologia da paisagem, a cibernética, a teoria dos sistemas, entre outras.

A palavra ambiente, portanto, mais do que a própria noção ou conceito, transforma-se em algo em voga nos variados discursos arquitetônicos, muitas vezes de forma contraditória ou mesmo conflitiva em sentidos e objetivos. Palavras como ambiente, natureza, paisagem, estrutura, território, sistema, entre outras, passam a ser conceituadas e reconceituadas à medida em que as ideias fluem nos experimentos e nas práticas do período. São personagens tão variados e tão díspares como Stewart Brand, Murray Bookchin, Buckminster Fuller, Viktor Papanek, Yona Friedman, Cedric Price, Emilio Ambasz, Superstudio, o pessoal de Drop City, de Ant Farm, Ian McHarg, entre outros, que frequentarão esta pesquisa.

Este universo de conflitos, contradições e tensões inquietou-me a promover um processo exploratório de suas características e de tudo em que ele implicou. Ao longo dos próximos anos tentarei, portanto, mergulhar neste universo.

março de 2014

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