žižek, real

originalmente postado em http://notasurbanas.blogsome.com/2010/08/11/zizek-real/

O que sobreviveu da liberação sexual dos anos 1960 foi o hedonismo tolerante facilmente incorporado à nossa ideologia hegemônica: hoje, o prazer sexual não é apenas permitido, é ordenado — os indivíduos se culpam se não são capazes de senti-lo. A guinada para formas radicais de prazer por meio de experimentações sexuais e drogas, além de outros meios que induzem o transe se dá em um momento político específico: quando o “espírito de 1960” exauriu seus potenciais políticos. Nesse ponto crítico (em meados dos anos 1970), a única opção que restou foi uma direta e brutal pressão em direção ao Real que assumiu três formas principais: a busca por formas extremas de prazer sexual; a virada para o Real da experiência íntima (misticismo oriental); e, por fim, o terrorismo político esquerdista (RAF na Alemanha, Brigadas Vermelhas na Itália, etc.). Nesse último caso, numa época em que as massas estavam totalmente imersas no sono ideológico capitalista, apostava-se que a crítica padrão não seria mais funcional; portanto, apenas a dura experiência Real com a violência direta — l’action directe — poderia despertar as massas. O que as três formas partilham é o abandono de um compromisso sociopolítico concreto para um contato direto com o Real.

Lembremos o desafio de Lacan aos estudantes que protestavam: “Como revolucionários, são histéricos que clamam por um novo mestre. Terão um.” E de fato o tivemos — no formato de um “permissivo” mestre pós-moderno cuja dominação é ainda mais forte por ser menos visível.

ŽIŽEK, Slavoj. “A utopia liberal”, Revista Margem esquerda nº 12. São Paulo: Boitempo Editorial, novembro de 2008, p. 46.

O trecho acima é faz parte de um dos primeiro parágrafos do artigo “A utopia liberal”. O tema do texto não é propriamente este, mas não deixa de ser provocativa a comparação entre hedonismo sexual yuppie e a esquerda radical armada dos anos 70.

Mais: as estruturas não caminham pelas ruas. Mike Davis na mesma revista: new urbanism e koolhaas.

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