imagens da quarentena (4 de maio): #MayTheFourth

4 de maio de 2020 (#maythefourth), quadragésimo terceiro dia da quarentena

Esses dias assisti ao nono episódio da série Guerra nas estrelas, aproveitando sua chegada em um serviço de streaming. O filme é terrivelmente ruim — mas é impressionantemente divertido por apelar de forma tão intensa e tão desavergonhada à memória de nossa infância.

Após assistir ao filme acabei descobrindo, por acaso, que existe um projeto de iniciativa de entusiastas e aficionados para restaurar e disponibilizar em qualidade 4K a versão “original” do filme Guerra nas estrelas de 1977, tal qual ela fora exibida nos cinemas à época. A partir de uma cópia Technicolor em 35mm preservada e obtida pelos responsáveis pelo projeto, um coletivo de voluntários digitaliza, limpa, edita e produz quadro a quadro uma versão digital em 4K daquele filme.

Trata-se de uma iniciativa admirável e fascinante em muitos sentidos: George Lucas, o mítico diretor de Guerra nas estrelas, é conhecido por relançar sistematicamente seus filmes em novas versões e em novos formatos com acréscimos, edições, emendas e cortes de conteúdo — e, uma vez comercializadas as novas versões, faz-se de tudo para que as antigas desapareçam. Planos de fundo são alterados, personagens são trocados, efeitos especiais antes impossíveis agora são acrescentados.

Certa vez li em algum lugar que, por conta disso, a procura por antigas fitas VHS de Guerra nas estrelas era altíssima mesmo na era dos blue-rays em função da ira que tais alterações causavam nos fãs mais fervorosos, sempre preocupados em experimentar as versões mais “autênticas” possíveis de seus objetos de culto. A restauração e disponibilização em 4K da versão exibida nos cinemas em 1977 acaba constituindo uma resposta a esta tentativa de apagamento por parte do diretor.

Contudo, não deixa de ser algo um tanto quanto perturbador essa procura incessante pelo original e pelo autêntico — ou pela vã tentativa de reviver lembranças que inevitavelmente desaparecerão.


São tempos difíceis, todos sabemos. O presidente da República atenta contra a saúde pública todos os dias, seja com pronunciamentos estapafúrdios, seja com canetadas perversas. Estamos em casa e esperamos achatar a famosa curva. Enquanto não há muito mais o que fazer, olhamos para alguns dos objetos cotidianos ao nosso redor.

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