fama

originalmente postado em http://notasurbanas.blogsome.com/2010/02/15/fama/

Em meio aos artigos presentes no livro An Architect’s Guide to Fame encontram-se os retratos de uma turma de 1º ano de estudantes de arquitetura da South Bank University em Londres. O interessante da coisa é que os retratos foram tirados logo na primeira semana de aulas. A respeito disto, escrevem Julie Cook, fotógrafa e Paul Davis, professor da Escola de Engenharia, Ciências e Ambiente Construído daquela universidade:

The hegemony of white, middle class, males in architecture has long been an issue, even inside the profession. Even after a century of attempts to broaden access to both architectural education and the profession, these students will still be amongst those who will face the biggest of battles. On the one hand, perhaps there are already too many architects. There is the possibility that there will be a backward step to a protectionism not based on these students ability to study, learn and work hard, or communicate well or work well in a team, but on those recurrent questions of wealth and taste; those values which prevailed over 100 years ago, where architecture was best thought of as a gentleman’s hobby. On the other hand architectural education in the United Kingdom is uncomfortably polarised. Peter Cook, professor of architecture at The Bartlett, UCL, has only recently stated there are only two schools of architecture in the UK . . . and maybe two others trying.* He means of course, that the only true path lies through the portals of either the Bartlett or the AA. The rest of us appear to be wasting our time. He means the avantgarde, he means the passionate, he means the architecture most people simply can’t understand.

*Peter Cook speaking on 28.10.04 at the Bartlett at the launch
of an AD publication on architectural education edited by
Michael Chadwick.

Fonte: DAVIES, Paul; COOK, Julie. “The Portraits” in An Architect’s Guide to Fame. Amsterdam, Londres: Elsevier; Architectural Press, 2005. pp 250-251

Destaque para o trecho: o resto de nós parece estar perdendo seu tempo. Este “nós”, no fundo, é o mundo todo: nosso conhecido e ignorado mundo de perdedores (aquela velha história: São Paulo, Lagos, Maputo, etc). Curiosamente (para dizer o mínimo), porém, qualquer escola de arquitetura no Brasil continua tentando produzir seus novos geniozinhos e olhando apenas para as mesmas Nova Iorque, Los Angeles, Paris, Londres, Dubai…

***

Ainda curioso: há mais estudantes negros entre aqueles retratados na turma de 1º ano daquela universidade pública londrina do que entre TODAS as turmas atuais da FAUUSP (e sou testemunha ocular há pelo menos sete anos). Mesmo a South Bank University não sendo uma “escola de elites” como as citadas Architectural Association (privada e caríssima) ou o Bartlett (pública mas de difícil acesso), ainda assim fica claro como a universidade pública brasileira — sobretudo a paulista — continua sendo um espaço elitista e racista. Não esquecendo ainda que Londres é a cidade mais cara do mundo, o que torna ainda mais relevante a existência de políticas de acesso ao ensino superior para populações de baixa renda.

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