carta aos acadêmicos para 2017

Você acabou de fazer oitenta e dois anos. Continua bela, graciosa e desejável. Faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. Recentemente, eu me apaixonei por você mais uma vez, e sinto em mim, de novo, um vazio devorador, que só o seu corpo estreitado contra o… Continue lendo carta aos acadêmicos para 2017

emily martin: óvulo, espermatozoide e natureza ocidental

Mais do que mecanismo “natural” de reprodução de indivíduos, o processo humano de concepção constitui-se de uma construção cultural fortemente marcada por preconceitos de gênero — processo este que, em sua versão ocidental e moderna, se revela na forma de uma narrativa construída a partir de figuras estereotipadas de masculino e feminino, na qual, entre outros… Continue lendo emily martin: óvulo, espermatozoide e natureza ocidental

bruno latour: memória, história e tempo

Alguns comentários sobre a invenção da memória e da história em Jamais fomos modernos: De onde nos vem a ideia de um tempo que passa? Da própria Constituição moderna. A antropologia está aí para nos lembrar que a passagem do tempo pode ser interpretada de diversas formas, como ciclo ou como decadência, como queda ou como… Continue lendo bruno latour: memória, história e tempo

bruno latour: dinâmica sociedade/natureza

Um dos trechos mais interessantes do clássico Jamais fomos modernos, de Bruno Latour: A potência da crítica Hoje, quando as capacidades críticas dos modernos se esgotam, é conveniente medir, pela última vez, sua prodigiosa eficácia. Liberados da hipoteca religiosa, tornaram-se capazes de criticar o obscurantismo dos antigos poderes ao desvelarem os fenômenos naturais que estes… Continue lendo bruno latour: dinâmica sociedade/natureza

“Após sua visita a Drop City, venha tomar um sorvete no Dairy Joy”

Drop City, a mais famosa comunidade contracultural estadunidense dos anos 1960, vem sendo objeto de um interesse renovado na última década. O livro-reportagem Droppers, de Mark Matthews, por exemplo, publicado em 2010, é um dos produtos deste interesse e já foi citado aqui. Alguns dos depoimentos dos primeiros anos de Drop City são particularmente interessantes. Gene… Continue lendo “Após sua visita a Drop City, venha tomar um sorvete no Dairy Joy”

dome cookbook, algumas imagens

Algumas imagens de uma recém chegada cópia da primeira edição do lendário Dome Cookbook, de Steve Baer, publicado de forma semi-artesanal em 1968 pela Fundação Lama: Segundo Fred Turner, professor de comunicação da Universidade Stanford: Em fins da década de 1960, estes emblemas [os domos geodésicos de inspiração fulleriana] da inventividade americana do período da… Continue lendo dome cookbook, algumas imagens

“arte é cultura é natureza”

Parece ser pauta comum a diferentes discursos nos anos 1960 e 1970 (alguns de ordem contracultural, outros com pretensão científica, hegemônica) a constituição de uma esfera comum entre natureza e cultura, entre o artificial e o orgnânico. É o que também sugere o depoimento abaixo. "Arte é cultura é natureza", declarara a artista Bonnie Sherk,… Continue lendo “arte é cultura é natureza”

algumas palavras de adrian forty sobre as palavras na arquitetura

Ainda que o papel desempenhado pela linguagem no meio das artes visuais tenha sido questionado em tempos recentes, assim como dúvidas tenham sido pronunciadas a respeito da crença modernista de que uma arte possa ser puramente visual, nada comparável acontecera no âmbito da arquitetura. Mesmo que de fato a questão seja eventual objeto de reflexão,… Continue lendo algumas palavras de adrian forty sobre as palavras na arquitetura

máquinas cnc

Breve comentário do professor britânico de arquitetura Jeremy Till sobre a moda da fabricação digital. Acho que eu também seja um ludita… Início do novo milênio. Blobs convivem conosco mas já começam a parecer cansados. Com o dobro de velocidade ganho anualmente nos computadores, ganha-se também um igual dobro anual de complexidade formal. Novas morfologias… Continue lendo máquinas cnc