emily martin: óvulo, espermatozoide e natureza ocidental

Mais do que mecanismo “natural” de reprodução de indivíduos, o processo humano de concepção constitui-se de uma construção cultural fortemente marcada por preconceitos de gênero — processo este que, em sua versão ocidental e moderna, se revela na forma de uma narrativa construída a partir de figuras estereotipadas de masculino e feminino, na qual, entre outros aspectos, o primeiro costuma ser apontado como elemento ativo e o segundo, passivo. Se no imaginário popular tais estereótipos são até previsíveis, é de se imaginar que nos círculos científicos dedicados ao estudo objetivo do processo tais imagens sejam ignoradas.

Os célebres estudos que Emily Martin, antropóloga estadunidense, dedicou ao tema explicitam justamente o contrário: aspectos ideológicos do patriarcado não só influenciam as práticas cotidianas de produção da ciência como colaboram na própria constituição dos elementos discursivos que caracterizam os processos “naturais”. De certo modo, a construção do dogma científico a respeito da reprodução humana — amplamente difundido em meios como o escolar, por exemplo — está impregnada de concepções fortemente influenciadas por uma visão de mundo patriarcal.

Não se trata, contudo, da invenção de uma “mentira” científica. Os estudos de Martin nos ajudam a pensar no próprio discurso científico, de modo amplo, como uma construção cultural peculiar que nos é própria — sociedade ocidental e moderna que somos —, constituindo apenas mais um mito entre muitos possíveis sobre a reprodução (incluídos aí todos os mitos reprodutivos associados às diferentes culturas e religiões tidas como não ocidentais ou não modernas). Mais do que explicitar o mascaramento da suposta verdade objetiva dos fatos da reprodução, o trabalho de Martin colabora justamente para a desnaturalização do discurso científico. Lidamos apenas, afinal, com ficções (e, em especial, com a ficção produzida pela ciência).

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Emilegraphics, Sperm, 2009 (CC–By–NC). Fonte: bit.ly/1TuyIVr

O célebre texto de Martin que sintetiza suas críticas ao discurso científico hegemônico sobre a reprodução é “The Egg and the Sperm: How Science Has Constructed a Romance based on Stereotypical Male-Female Roles”, publicado em na revista Signs em 1991. Reflexões adicionais são ainda encontradas no livro The Woman in the Body: A Cultural Analysis of Reproduction, de 1987.

conto de fadas

Vale registrar alguns trechos do artigo. De início, Martin destaca — a partir de citações diretas de textos científicos ou mesmo de livros didáticos e livros-texto — a maneira como se constituiu na cultura ocidental uma espécie de conto-de-fadas sobre a reprodução, na qual o óvulo constitui o elemento frágil, passivo e sob constantes perigos e o espermatozoide como sua contraparte ativa, viril, destemida.

Ela argumenta o seguinte:

Em seu extremo, a antiga relação entre o óvulo é o espermatozoide assume um verniz religioso ou nobre. A membrana do óvulo, sua barreira protetora, é por vezes chamada de “paramento” ou “túnica” [vestment], um termo normalmente associado à vestimenta sagrada, religiosa. Diz-se que o óvulo é envolto por uma “corona” — uma coroa — e é acompanhado de “células pajens” [attendant cells]. É algo sagrado, deslocado e superior: a rainha para o rei que é o espermatozoide. O óvulo é ainda passivo, o que quer dizer que depende do espermatozoide para seu resgate. Gerald Schatten e Helen Schatten associa o papel do óvulo com o de Bela Adormecida […]. O espermatozoide, ao contrário possui uma “missão” […]. Uma narrativa popular é a de que o espermatozoide precisa cumprir uma “jornada perigosa” no interior das “quentes trevas”, onde alguns podem cair “exaustos”.

[p. 490]

Finalmente, conclui estas primeiras considerações sobre a “fábula”:

A imagem mais comum — o óvulo como a dama em perigo, protegida apenas por suas vestimentas sagradas; o espermatozoide como o guerreiro heroico a resgatá-la — não pode ser provada como algo ditado pela biologia dos eventos. Ainda que os “fatos” da biologia não possam sempre ser construídos em termos culturais, eu argumentaria que neste caso eles são. O nível de conteúdo metafórico nestas descrições, a dimensão com que se enfatizam as diferenças entre o espermatozoide e o óvulo, bem como os paralelos entre os estereótipos culturais de comportamentos masculino e feminino com o caráter atribuído ao óvulo e ao espermatozoide — tudo isso aponta para esta conclusão.

[pp. 491–492]

imaginário renovado: da dama em perigo à viúva-negra

Martin nota como estudos mais recentes vêm desconstruindo estes papeis estereotipados de gênero, efetivamente identificando um papel muito mais ativo do óvulo e muito mais passivo do espermatozoide no processo de reprodução. No entanto, ela destaca o fato destas novas narrativas, mais do que se construírem a partir de um olhar renovado, insistem em novos estereótipos — que apenas reforçam velhos preconceitos. O papel não tão importante da cauda do espermatozoide, as substâncias emitidas pelo óvulo durante o processo (que guiam o espermatozoide em busca do óvulo e que os unem), bem como uma relação muito mais interativa entre os dois elementos já constituem um conhecimento consolidado sobre o assunto, que, no entanto, continua formatado, do ponto de vista discursivo, para renovar velhos estereótipos

Mais do que a “dama em perigo”, agora o óvulo assume o papel de “femme fatale”: personagem traiçoeiro, agressivo, verdadeira viúva-negra. Segundo Martin:

Apesar das novas imagens associarem ao óvulo um papel mais ativo e ampliado, tomadas em conjunto elas trazem à tona um outro estereótipo: o da mulher como uma ameaça agressiva e perigosa. No modelo revisado da Universidade John Hopkins, o óvulo termina como o agressor feminino que “captura e prende” o espermatozóide em sua zona pegajosa, tal qual uma aranha aguardando em sua teia. O laboratório de Schatten posiciona o núcleo do óvulo “interrompendo” o mergulho do espermatozoide de forma “repentina e veloz”, de modo a “agarrar o espermatozoide e guiar seu núcleo até seu centro.” A descrição de Wassarman da superfície do óvulo “coberta com milhares de projeções da membrana plasmática, chamadas microvilli” que atingem e prendem o espermatozoide apenas colabora com o imaginário da aranha em sua teia.

Estas imagens associam ao óvulo um papel positivo, mas ao custo dele aparentar agressivo de modo perturbador. Imagens de mulheres como perigosas e agressivas — a femme fatale que vitimiza os homens — são amplamente espalhadas na cultura e na literatura ocidentais. Mais específico ainda é essa conexão da imagem da aranha com a de uma mãe devoradora. Novos dados não impediram os cientistas de eliminar os estereótipos de gênero de suas descrições dos óvulos e espermatozoides. Ao contrário, os cientistas simplesmente começaram a descrevê-los em termos novos, mas não menos danosos.

[pp. 498–499]

cibernética: possível panaceia

Finalmente, Emily Martin discute a possibilidade de novos modelos descritivos serem constituídos no interior das ciências biológicas que consigam de fato desconstruir tais estereótipos. Ela aponta uma possibilidade no pensamento sistêmico e na cibernética — paradigmas intelectuais renovados, surgidos no pós-Guerra e ainda relativamente marginais na maior parte dos estudos científicos hegemônicos (ao menos no período em que o artigo foi produzido, quarenta anos após a introdução de tais conceitos). Ela mesma aponta, no entanto, os riscos desta possibilidade, ao lembrar que o paradigma cibernético foi ele próprio bastante adequado à constituição de sistemas de controle social e de novos determinismos. É este alerta que me interessa, em particular:

Precisamos, no entanto, estar alertas ao fato do imaginário cibernético ser dificilmente neutro. No passado, modelos cibernéticos desempenharam um papel importante na imposição de controle social. Tais modelos fornecem, por sua natureza, uma forma de pensar sobre um “campo” de elementos interagindo uns com os outros. Assim que o campo pode ser observado, ele se torna objeto de novas formas de conhecimento, que por sua vez permitem novas formas de controle social. Durante os anos 1950, por exemplo, a medicina começou a reconhecer o ambiente psicossocial do paciente: sua família e sua psicodinâmica. Profissões como o serviço social começaram a focar neste novo ambiente — e o resultado foi a constituição de um conhecimento renovado de como controlar o paciente. Os pacientes começaram a ser vistos não como corpos individuais, isolados, mas como entidades psicossociais localizadas neste sistema “ecológico”: a administração da “psicologia do paciente constituiu todo um novo cardápio no controle do paciente.”

[p. 499]


 

Todas as citações são da seguinte fonte:

MARTIN, Emily. The Egg and the Sperm: How Science Has Constructed a Romance Based on Stereotypical Male-Female Roles. Signs: Journal of Women in Culture and Society. 1991, v. 16, n. 3, pp. 485–501. Disponível em http://www.jstor.org/stable/3174586

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Fonte: Wikimedia Commons

sustentabilidade e sociedade

Algumas notas sobre a ideia de “desenvolvimento sustentável” tomadas da obra Naturalismo e biologização das cidades na constituição da ideia de meio ambiente urbano, de Marcos Virgílio da Silva:

O progressivo comprometimento de organismos internacionais com a causa do desenvolvimento sustentável traz certas implicações que devem ser notadas: acaba-se associando sub-repticiamente a adoção dos preceitos da globalização ao alcance de um “desenvolvimento sustentável”; corre-se o risco de aceitação sem questionamento dos processos dominantes de globalização, da forma como vêm sendo promovidos por esses órgãos (BID, Banco Mundial, OMC, FMI, etc.). Como observam Brand e Görg (2003), a institucionalização do desenvolvimento sustentável ao longo da última década também se deu “de cima”, com países hegemônicos fazendo prevalecer seus interesses em acordos internacionais como as convenções sobre o clima e a biodiversidade, e promovendo uma verdadeira “mercantilização da cultura” (Brand e Görg, 2003: 47).

A principal questão colocada é a respeito do papel da sustentabilidade: ponto de partida para uma remodelação ou reafirmação do capitalismo, num contexto de globalização neoliberal e transição para o “pós-fordismo”, ao invés de um projeto emancipador e visando à superação desse mesmo contexto. […] Talvez a principal matriz do discurso da sustentabilidade seja o discurso do “equilíbrio” ecossistêmico, e está pautada pela eficiência na utilização dos recursos naturais. Pela lógica da eficiência, sustentabilidade é motivada por “combate ao desperdício da base material do desenvolvimento, a instauração da racionalidade econômica na escala do planeta, a sustentação, enfim, do mercado como instância reguladora do bem-estar dos indivíduos na sociedade” (Acselrad, 2001: 32). De outro lado, tem-se a matriz que se preocupa em vincular a noção de sustentabilidade à de suficiência (ou seja, de limites ao crescimento). […] Em outras palavras, a justiça “intergeneracional” subjacente ao discurso da sustentabilidade “não pode, por certo, se sustentar legitimamente se não for apresentada de forma subordinada à muito palpável questão da justiça intrageneracional” (Acselrad, 2001: 35).

[…] As diversas vertentes do ambientalismo, como diferentes abordagens teóricas, implicam numa multiplicidade de interpretações e apreciações da “sustentabilidade”, de modo que a literatura pode ir de uma produção inteiramente comprometida com o ideal de “desenvolvimento sustentável” até uma que lhe é abertamente crítica.

[…]

Atualmente, há uma disputa particular em torno da ideia de sustentabilidade e dos rumos que o debate ambientalista tomará em seu nome. Com a crescente difusão de tal ideia no meio empresarial, percebe-se que o termo vem tendo seu uso pendido cada vez mais para as suas acepções “pragmáticas” e “realistas” — o que significa, primordialmente, uma desqualificação do ambientalismo “radical” e “utópico” daqueles que se propõem a, em nome da conservação e preservação ambiental, reformular as bases do sistema produtivo em função dos princípios da sustentabilidade.

Perdendo o conteúdo mais explicitamente crítico do sistema capitalista, a noção de desenvolvimentos sustentável acaba se reduzindo a um novo instrumento dos empresários para “agregar valor” (vide a publicidade promovida em torno das certificações como ISO 14 000 ou a implementação de sistemas de gestão ambiental), “conquistar novos mercados” ou simplesmente “melhorar a imagem corporativa” perante uma comunidade que se mostra cada vez mais atenta. Essa nova orientação tem também implicações no campo profissional: reduzida cada vez mais a uma questão de gestão, os profissionais destacados para os setores ligados a meio ambiente nas empresas passam a ser cada vez mais cobrados por qualificações ligadas à gestão de processos, atividades e os fluxos matéria-prima/produto/resíduos, num esvaziamento de qualquer conteúdo territorial ou mesmo sociocultural ligado à ideia de “ambiente”. Radicaliza-se, portanto, uma visão integralmente tecnocrática e apolítica das questões ambientais. Assim os empresários respondem, a seu modo, de qual sustentabilidade se trata.

SILVA, Marcos Virgílio da. Naturalismo e biologização das cidades na constituição da ideia de meio ambiente urbano. São Paulo: Alameda Editorial, 2014, pp. 180–185.

“Se você não á parte da solução, você é parte do problema.”
“Se você não á parte da solução, você é parte do problema.” Chamada para a lendária Conferência de Estocolmo de 1972.

imagens integrais do planeta

The Blue Marble ("A bolinha azul", Nasa, 1972) Alguns mitos fundadores são bastante frequentes entre as narrativas mais comuns sobre a história do ambientalismo: Rachel Carson e seu Silent Spring, James Lovelock e sua Hipótese Gaia, a Conferência de Estocolmo de 1972, o estabelecimento do Dia da Terra, entre outros episódios e personagens. Destes, um personagem menos badalado, mas ainda assim recorrente em tais narrativas, costuma ser bastante lembrado devido a uma campanha iniciada por ele pela disponibilização pública, por parte da NASA, de imagens integrais do planeta Terra — como aquela que abre este texto, apelidada de “Blue Marble” (“Bolinha azul”) e tornada pública pela agência estadunidense a partir de 1972.

Tal sujeito, Stewart Brand, é considerado um dos ícones da contracultura norte-americana, tendo de fato iniciado em 1966 uma mobilização pública pela publicação de imagens da Terra vistas do espaço. Brand começou a distribuir naquele ano bottons nos quais estava grafada a pergunta “Por que ainda não vimos imagens integrais do planeta?” A campanha surtiu tal efeito que em 1967 a NASA disponibilizou publicamente uma primeira imagem do planeta, que ficou conhecida como ATS-3 (código do satélite que a produziu) — e que foi prontamente utilizada por Brand como imagem de capa de seu lendário Whole Earth Catalog, de 1968, publicação contracultural voltada à comercialização de produtos destinados a um “modo de vida alternativo” e “auto-suficiente”.

Stewart Brand e seu botton "Por que ainda não vimos uma fotografia inteira da Terra?"
Stewart Brand e seu botton “Por que ainda não vimos uma fotografia inteira da Terra?” Fonte: http://likealittlewhiterabbit.tumblr.com/post/21599086551
Imagem produzida pelo satélite ATS-3 da NASA. Fonte: bit.ly/2isszqy
Imagem da Terra produzida pelo satélite ATS-3 da NASA.
Whole Earth Catalog, 1968.
Primeira edição do Whole Earth Catalog, produzido por Stewart Brand em 1968.

Segundo o próprio Brand, em depoimento publicado em 2006 no livro From Counterculture to Cyberculture, de Fred Turner:

Uma tarde, provavelmente em março de 1966, derramando um pouco de LSD, subi no telhado e sentei, tremendo embaixo de uma coberta, meio que observando e pensando… Estava olhando para os edifícios, observando São Francisco, pensando sobre a noção de Buckminster Fuller de que as pessoas pensam nos recursos da Terra como ilimitados porque elas acham que a Terra é plana. Olho para São Francisco da altura de 300 pés e 200 microgramas e penso que daqui eu posso ver que a Terra é curva. Tive então a ideia de que quanto mais alto você consegue ver a Terra, mais redonda ela vai ficar.

Não havia fotografias públicas integrais da Terra naquela época, apesar do fato de que já estávamos metidos em um programa espacial havia pelo menos dez anos. Comecei a esquematizar as coisas em meio à viagem. Como posso fazer a fotografia acontecer? Porque já tinha me persuadido de que tudo mudaria caso tivéssemos uma fotografia da Terra tirada do espaço.

Se a relação sugerida entre a tomada de consciência do planeta e a construção do discurso ambientalista pode ser questionada e problematizada hoje, é inegável, por outro lado, que a campanha pela disponibilização daquelas imagens tenha de fato produzido uma revolução no imaginário desde os anos 1960: hoje tomamos tais representações do planeta como algo natural, rotineiro, ainda que em 10 mil anos de civilização ocidental tenhamos entrado em contato com tais imagens apenas nos últimos 50. “Blue Marble”, aliás, costuma ser apontada como a fotografia mais reproduzida da história — quiçá trata-se da imagem mais reproduzida da história. A imagem do globo azul, verde e marrom caminhando em meio ao vazio negro que o envolve já se tornou praticamente a expressão quase natural da ideia de “mundo” — e talvez ainda não tenhamos conseguido apontar os efeitos desta associação inventada há meio-século.

Um caso curioso é o da relação estabelecida entre as noções de “ambiente” e “Terra”, já praticamente naturalizada: uma breve pesquisa no Google Imagens revela o quanto aquela representação da Terra popularizada com as imagens da NASA nos anos 1960 tem sido trabalhada e retrabalhada a ponto de frequentar o imaginário ambiental cotidiano, como as pesquisas abaixo revelam nos mais variados idiomas.

Pesquisa no Google Imagens por "ambiente" em diferentes idiomas.
Pesquisa no Google Imagens por “ambiente” em diferentes idiomas.

Parece haver nestas imagens um discurso ainda por ser melhor dissecado, materializado por alguns signos recorrentes: a mão branca segurando o planeta; os campos verdes e o céu azul; a vegetação isolada e controlada; e, sobretudo, a imagem integral do planeta — sempre prestes a ser protegida pela amigável e gigantesca mão humana. Tais imagens não evocam qualquer imaginário urbano, tecnológico, cotidiano — são, ao contrário, imagens que sugerem alguma forma de fuga, de excepcionalidade cotidiana, de aparente ruptura com o ambiente urbano. São imagens em princípio distantes do contexto contracultural que envolvia a invenção da imagem da Terra integral nos anos 1960: a força pretendida por aquelas imagens contraculturais relacionava-se com um discurso que pretendia unir de forma orgânica artifício e natureza. As imagens contemporâneas, pasteurizadas e filtradas pela caixa preta do Google, parecem ao contrário sugerir a necessidade de ausência total de artifício — e, fazendo isto, naturalizam talvez aquilo que provavelmente sempre fora a mais artificial das invenções, a própria natureza.