Hannes Meyer e sua esposa Lena Meyer-Bergner em Batumi, República Soviética da Geórgia (1930)

hannes meyer e a brigada vermelha da bauhaus na união soviética

Em setembro de 2012 o pesquisador Ross Wolfe publicou em seu blogue interessante material iconográfico do período soviético de Hannes Meyer. Seguem algumas imagens e um excerto de artigo publicado no Pravda por Meyer em 1930.

Hannes Meyer e sua esposa Lena Meyer-Bergner em Batumi, República Soviética da Geórgia (1930)
Hannes Meyer e sua esposa Lena Meyer-Bergner em Batumi, República Soviética da Geórgia (1930). Fonte: Ross Wolfe, http://bit.ly/QWkQIX
Natja Catalan, Tibor Weiner, Philipp Tolziner, Konrad Püschel, Margarete Mengel, Lilya Polgar, Anton Urban: membros do grupo de Meyer, meados dos anos 1930
Natja Catalan, Tibor Weiner, Philipp Tolziner, Konrad Püschel, Margarete Mengel, Lilya Polgar, Anton Urban: membros do grupo de Meyer, meados dos anos 1930. Fonte: Ross Wolfe, http://bit.ly/QWkQIX
Plano de Hannes Meyer para Nizhne–Kurinsk, 1932
Plano de Hannes Meyer para Nizhne–Kurinsk, 1932. Fonte: Ross Wolfe, http://bit.ly/QWkQIX

Fragmento de texto publicado por Hannes Meyer no Pravda em 1930:

Após vários anos trabalhando no interior do sistema capitalista estou convencido de que atuar sob tais condições não possui qualquer sentido. Em face de nossa concepção marxista e revolucionária de mundo, entendemos que nós, arquitetos revolucionários, encontramo-nos à mercê das contradições insolúveis de um mundo construído sobre o individualismo animal e sobre a exploração do homem pelo homem. Já disse, e digo novamente, a todos os arquitetos, engenheiros e construtores: ‘Nosso caminho é e deve ser aquele do proletariado revolucionário, aquele do Partido Comunista, o caminho daqueles que estão construindo e atingindo o socialismo.’

Parto para a URSS a fim de trabalhar entre pessoas que estão construindo uma verdadeira cultura revolucionária, que estão alcançando o socialismo e que estão vivendo naquela forma de sociedade para a qual estamos lutando aqui, sob as condições do capitalismo.

Clamo aos nossos camaradas russos que considerem-nos, a meu grupo e a mim, não como especialistas insensíveis, arrogando-nos todos os tipos de privilégios especiais, mas como companheiros trabalhadores com visões camaradas prontos para colaborar com o socialismo e com a revolução com todo o nosso conhecimento, toda a nossa força e toda a nossa experiência adquirida com a arte de construir.

[Carta enviada de Berlim em 10 de outubro de 1930, rosswolfe.wordpress.com/2012/09/04/hannes-meyer-and-the-red-bauhaus-brigade-in-the-soviet-union-1930-1937/]

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Caricatura do então diretor da Bauhaus, Hannes Meyer, embalado para envio à URSS
Caricatura do então diretor da Bauhaus, Hannes Meyer, embalado para envio à URSS. Fonte: Ross Wolfe, http://bit.ly/QWkQIX

Hannes Meyer, Ernst May e Bruno Taut consagraram-se como protagonistas de grupos de ex-bauhausianos que, ao invés de emigrarem para os EUA, preferiram refugiar-se do avanço nazista na Alemanha nos países de influência da União Soviética.

Todos eles, de um modo geral, frustraram-se com os rumos da revolução russa nos anos seguintes (seja por motivos políticos, seja por motivos profissionais). Curiosamente, mesmo ao deixarem a União Soviética procuraram não se estabelecer nas principais potências ocidentais: Meyer viveu décadas no México, May passou alguns anos na África e Taut viveu seus últimos anos na Turquia. A trajetória deles ainda é pouco estudada, mas já constitui na historiografia corrente um contraponto consolidado aos bauhausianos que adotaram os EUA e que ajudaram a definir a paisagem capitalista nas cidades ocidentais de meados do século XX, como Mies van der Rohe, Walter Gropius e Marcel Breuer.

Mais sobre isto aqui.

Em 1932 Gropius visitou a Rússia e ficou amargamente decepcionado, voltando ‘abalado com o que ele viu e experimentou’. Em seu retorno, no possivelmente mais delicado momento da evolução das instituições arquitetônicas soviéticas, o influente Congresso Internacional da Arquitetura Moderna (CIAM), constituído quatro anos antes para representar todo o Movimento Moderno, tomou uma decisão drástica. Seus organizadores, indignados com o resultado do concurso para o Palácio dos Sovietes, decidiram no último momento cancelar sua terceira conferência em Moscou, optando, ao contrário, pelos confortos de um cruzeiro de luxo no Mediterrâneo no ano seguinte. Vinte e seis arquitetos estrangeiros trabalhando em Moscou, muitos deles, sem dúvidas, membros dos grupos de May e Meyer, protestaram em vão. O significado deste ato está em que ele oficialmente dissociou o Movimento Moderno no Ocidente do desenvolvimento da arquitetura na Rússia, cruelmente interpretando e condenando-os em termos de estilo quando, de fato, ainda nenhum ucasse em matéria de estilo havia sido promulgado. Apesar do recrudescimento do neoclassicismo abundava a variedade estilística na arquitetura oficial; o modernismo foi tolerado até 1936, quando a rigidez tornou-se norma em virtualmente todos os aspectos da vida soviética. Em 1932, Bruno Taut ainda encontrava-se suficientemente otimista para mover seu escritório para a Rússia; em 1934, um eminente modernista ocidental como André Lurçat encontrava-se seduzido em participar de uma estada de três anos sob os desígnios do segundo Plano Quinquenal. Mesmo em janeiro de 1937, Frank Lloyd Wright, convidado estelar do primeiro Congresso dos Arquitetos Soviéticos, encontrou muito mais variedade do que ele esperava (no caso de Wright, porém, altas doses de bajulação e certo habilidoso ciceronear por parte de Alabjan claramente alteraram suas impressões.

fonte: SAINT, Andrew. The image of the Architect. Londres e New Haven: Yale University Press, 1983. pp 132–137

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